TEORIAS DA COMUNICAÇÃO

Leituras e práticas em torno da comunicação.

Segunda-feira, Abril 30, 2007


Para saber mais, clicar aqui.

Domingo, Março 25, 2007

CALL FOR PAPERS

REVISTA COMUNICAÇÃO & CULTURA, Nº 4 – 2007

Tema: Terror e Terrorismos

Depois do 11 de Setembro de 2001, a palavra terror ganhou novos contornos e uma pertinência acrescida. De Manhattan a Kandahar, muitos foram os locais directamente atingidos por um novo, ou talvez não tão novo, tipo de terror.

Desde o modelo não trágico do terror e piedade, na construção aristotélica, ao terror psicológico do filme noir dos anos 40 e 50, a experiência e a representação do terror apresentam-se como potentes modelos de encenar o lado obscuro do humano.

A revista Comunicação & Cultura apela à submissão de artigos científicos que abordem as temáticas do terror, dos terrores, dos terrorismos. Entre outros tópicos, aceitam-se contributos que foquem os seguintes aspectos:

- Arqueologia e Semiótica do Terror
- Media, Globalização e Terror
- Medo, Ansiedade e Insegurança
- Mobilidade, Tecnologia e Território
- História dos Terrorismos
- Arte, Horror e Terror

REVISTA COMUNICAÇÃO & CULTURA, Nº 5 – 2007


Tema: Mediatização da Dor

A centralidade dos media é uma das características mais marcantes de sociedade contemporânea. Toda a experiência é mediada e permeada por representações e interpretações de um mundo que vai ficando ao mesmo tempo mais pequeno e mais longínquo. É através dos media que conhecemos, percepcionamos, sentimos. É através dos media que construímos a realidade e que vamos (re)definindo a nossa identidade e acção na sociedade em que vivemos.

Uma das componentes fundamentais da comunicação em massa, tanto na ficção como na informação, é o pathos. A repercussão mediática de acontecimentos trágicos e/ou violentos – que ganham assim uma dimensão nacional ou até global e são, ao mesmo tempo, paradoxalmente intensificados e minimizados pela repetição constante – impõe uma reflexão sobre o impacto da mediatização da violência e da dor nas nossas vidas e no modo como nos relacionamos com o mundo, com os media, com os outros e com o que sentimos.

Sendo a encenação da dor uma constante desde tempos imemoriais em fenómenos literários, artísticos, jornalísticos, importa também pensar os modos como estas representações agem sobre a percepção e mediatização do sofrimento nos dias de hoje. Aceitam-se contributos que incidam, entre outros, sobre os seguintes temas:

- A (omni)presença da dor e da violência nos acontecimentos mediáticos.
- Visualização e textualização da dor [fotojornalismo, documentários, docufilmes, etc.
- A mediatização da dor e da violência na informação e no entretenimento.
- A mediatização da dor e a sua recepção [consequências sociais, políticas, económicas, etc.
- A dor como estratégia mediática para atrair público(s)
- A dor como fenómeno cultural: representações, encenações e transgressões.
- Actores, receptores e espectadores
- O espectáculo da dor: voz das vítimas versus fama dos agressores
- A dor no ensaísmo, jornalismo, na literatura e nas artes
- (Dis)Semelhanças nas representações da dor nossa e do Outro
- A mediatização da dor ao longo dos séculos: contextos, metodologias, estratégias.
- O papel da propaganda e da censura nas representações da dor e da violência.
- O impacto da(s) celebridade(s) nas representações da dor nos media.

Os trabalhos submetidos a apreciação deverão estar de acordo com as normas de publicação da revista, podendo ser enviados:


Nº 4 - até 1 de Maio de 2007
Nº 5 - até 30 de Outubro de 2007

para um dos seguintes endereços:

E-mail:
comunicultura@fch.ucp.pt
Endereço: Universidade Católica Portuguesa
Faculdade de Ciências Humanas
Palma de cima
1649-023 Lisboa

Domingo, Março 11, 2007

ARTIGOS SAÍDOS NO JORNAL PÚBLICO DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006

É a cultura, estúpido!

Um estudo da União Europeia mostra que a cultura contribui mais para a economia dos 25 do que os automóveis. Por isso deve passar a ser uma prioridade. Exemplos como o Guggenheim de Bilbau, que "salvou a cidade", atestam o poder de um sector que tem sido ignorado por os governantes acharem que é um custo, em vez de um investimento. Em Portugal, é o terceiro principal contribuinte para o PIB, a seguir aos produtos alimentares e bebidas.

Por Joana Gorjão Henriques

O sector cultural e criativo contribuiu para 2,6 por cento do Produto Interno Bruto da União Europeia em 2003, mais do que o imobiliário e produtos alimentares e bebidas, revela o estudo A Economia Cultural na Europa, encomendado pela Comissão Europeia à KEA, European Affairs e apresentado ontem em Bruxelas.
As conclusões deste estudo com mais de 300 páginas são surpreendentes e levam o responsável da KEA a dizer que a União Europeia deve reflectir sobre a importância da criação, porque aí "é competitiva a nível mundial" (ver entrevista).

O conceito de sector cultural e criativo usado é lato e inclui indústrias culturais como o cinema, media e sectores criativos como a publicidade e o turismo cultural e o sector tradicional das artes (ver definição).

Os investigadores ressalvam que não há instrumentos estatísticos comuns na União Europeia (UE) e recomendam uma uniformização para a sua fiabilidade. De qualquer forma, estes "são números muito conservadores", ou seja, até podem estar abaixo da realidade, disse Philippe Kern, director da KEA. "Nós contámos 15 por cento de turismo cultural no bolo total do turismo, o que não é nada exagerado."

Com um volume de negócios superior a 654 mil milhões de euros em 2003, mais do que o dos automóveis, o sector está a crescer mais (12,3 por cento) do que o resto da economia.

O peso no emprego também é significativo: em 2004 empregou 5,8 milhões de pessoas, o que representa 3,1 por cento do total de empregos na Europa dos 25 e corresponde à soma da população activa da Irlanda e Grécia. E, enquanto o emprego decresceu na UE, aqui cresceu 1,8 por cento. E é um emprego qualificado: 46,8 por cento dos trabalhadores têm pelo menos um curso universitário (contra 25,7 por cento do global e 31,9 por cento em Portugal). O emprego cultural é "atípico" e alguns dirão que é a imagem do trabalho do futuro, diz o estudo: mais flexível, mais móvel, mais qualificado e assente na liderança de projectos.

Em Portugal este sector contribuiu para 1,4 por cento do PIB em 2003, ou seja, foi o terceiro contribuinte. Mas quem mais contribuiu para a economia do sector foram França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha (juntos totalizam três quartos). É para a economia da França, do Reino Unido, da Noruega, da Finlândia e da Dinamarca que este sector tem maior importância: representa mais de três por cento do PIB. Mas há outros países de pequena dimensão onde a percentagem é igualmente alta (entre 2 e 3 por cento), como a Estónia, a Eslovénia ou Eslováquia.

Um outro estudo citado, da consultora americana PriceWaterhouseCoopers, indica que a Europa foi a segunda maior região a gastar dinheiro em bens e serviços culturais, de media e entretenimento, sendo o Reino Unido o maior contribuinte. E estima que na Europa haverá um crescimento anual de 7,7 por cento até 2009 no mercado do "entretenimento filmado", um decréscimo das vendas de música no formato tradicional e um crescimento de 7,2 por cento no mercado digital.

O estudo lembra que o sector cultural e criativo continua a ser largamente ignorado e que só recentemente começou a haver interesse em medir os seus desempenhos socioeconómicos. Um dos motivos, aponta, deve-se à resistência em analisar a cultura da perspectiva económica e de os governos acharem que é sempre um custo, em vez de um investimento.

Como explicar crescimento

Mas afinal a que se deve este crescimento? Para já, a cultura gera produtos e as sociedades dão-lhes cada vez mais importância como produto de consumo, dizem. "A procura por uma cada vez maior diversidade cultural de produtos é indicativa do comportamento do consumidor pós-moderno: os consumidores procuram diferenciar-se eles próprios, apropriando-se dos signos e valores que marcam produtos específicos."

À medida que o nível de educação aumenta, também aumenta a procura de cultura, acrescentam, como aumentam os tempos de lazer a ela dedicados. Além disso, nota, os benefícios que traz à economia europeia não se restringem ao consumo: é usada indirectamente pelos sectores não culturais como fonte de inovação. Já há países empenhados em apostar neste sector, como o Reino Unido. É a tomada de consciência daquilo que "os Estados Unidos perceberam há muito": "O poder da imagem e da música para exportar o seu way of life e o sonho americano."

Apesar dos bons resultados, o estudo chama a atenção para a necessidade do apoio público no sector cultural: por razões democráticas, educação, partilha de valores, construção de identidade, coesão social, etc.

Cultura é o terceiro contribuinte para o PIB português

Qual é a importância da cultura e criação no produto interno bruto, PIB, português? 1,4 por cento, diz o relatório da União Europeia A Economia Cultural na Europa, apresentado ontem em Bruxelas.

Isto significa que a cultura - aqui entendida num sentido lato (ver caixa) - é o terceiro principal contribuinte para o PIB português (dados de 2003), logo a seguir aos produtos alimentares e bebidas, e aos têxteis (1,9% cada).

A divisão feita no estudo da União Europeia (UE) inclui oito grandes sectores económicos e a lista, para o caso português, termina assim: 0,8 % do PIB vem do sector químico e fibras sintéticas; 0,7% das maquinarias e equipamentos; 0,6% do imobiliário e 0,5% cada para a informática e o sector dos plásticos e borracha.
Mas que retrato fica da economia cultural e criativa portuguesa? Em concreto, os números do volumoso estudo (tem 334 páginas) mostram um Portugal cultural susceptível de várias interpretações, com alguns dos piores valores da Europa dos 25, mas, ao mesmo tempo, com crescimentos destacados pelos próprios autores.

A Economia Cultural na Europa revela que, entre 1999 e 2003, o contributo do sector cultural para o PIB português cresceu 6,3% (é impressionante ver o crescimento da contribuição da cultura para as economias do Leste: a Lituânia cresceu 67,8%, a República Checa 56%, a Letónia 17%, a Eslováquia 15,5%).

Em Portugal, o volume de negócios do sector cultural aumentou a uma taxa média anual de 10,6% entre 1999 e 2003, o dobro da média global da União Europeia - 5,4%. De novo, os mais dinâmicos são os países do Leste.

Com 1,4% de PIB, Portugal está num grupo de países que contribuem com 1 a 2% para as suas economias: Grécia, Hungria, Irlanda, Letónia, Lituânia, Polónia, Bulgária, Roménia e Áustria (que tem a percentagem mais elevada deste subgrupo: 1,8%). Numa visão global, a França, a Itália, a Holanda, Noruega e Grã-Bretanha são os países cujos sectores culturais e criativos têm as contribuições mais altas para os seus PIB. São os cinco maiores países da União Europeia que contribuem com três quartos da economia do sector cultural e criativo da Europa.

Poucos universitários

No retrato mais negro, Portugal é, por exemplo, o país com menos universitários a trabalhar no sector da cultura: 31,9%. Dos 25, só sete países têm menos de 40% de universitários na cultura e criação (Áustria, Eslováquia, Itália, Malta, Portugal, República Checa e Suécia). Portugal e Malta são os países com maior percentagem de trabalhadores que não fizeram, sequer, o secundário.

A União Europeia não consegue encaixar Portugal em nenhum dos três grandes modelos da economia cultural que identifica: não está no modelo britânico (o das indústrias criativas), nem no francês (indústrias culturais), nem no nórdico (economia da experiência). Não é claro se esta ausência tem a ver com falta de dados nas mãos da União Europeia, ou com falta de posicionamento político de Portugal.

Ontem, em Bruxelas, a directora-geral da Cultura da Comissão Europeia, Odile Quintin, elogiou, segundo a agência Lusa, o Programa Operacional de Cultura português, o primeiro da UE.

Bárbara Reis

Domingo, Agosto 15, 2004

LEIAM-ME EM INDÚSTRIAS CULTURAIS. OS TEMAS DESTE BLOGUE CONTINUAM LÁ.

Este blogue - que foi de apoio às aulas de Teorias da Comunicação, na Universidade Católica Portuguesa - não terá continuidade dado não ir leccionar mais a cadeira. Mas continuo a produzir no blogue Indústrias Culturais.

Quarta-feira, Maio 12, 2004

EM DEFESA DO MUSEU DA RÁDIO

Após 12 anos aberto ao público, o Museu da Rádio ameaça fechar as portas, com o seu acervo a ser integrado no Museu das Comunicações - conforme notícia publicada no dia 1 de Maio último no jornal Público. Porque o assunto é para ser levado a sério, e apesar de não se saber mais do que aquilo que saíu no jornal, os blogues mais ligados à rádio têm multiplicado as suas mensagens de desconforto perante a situação. No ar, existe o receio de ver o acervo distribuído por vários núcleos - perdendo-se a noção de colecção -, ou parcialmente destruído. Prova deste receio é o facto de ainda não ter havido um comunicado ou qualquer outra afirmação por parte da RTP ou da comissão instaladora do museu da Rádio (que se prepara para assinar, em breve, um protocolo para transferência do acervo para a Fundação Portuguesa das Comunicações), a desmentir a notícia ou a clarificar os pontos mais problemáticos da mesma.

O Museu tem perto de 5 mil peças e tem cerca de 12 mil visitantes anuais.

Ao internauta que lê esta mensagem

Por favor, participe civicamente na defesa do Museu da Rádio. Envie uma carta, em tom gentil, à administração da RTP (Avenida Marechal Gomes da Costa, 37 - 1800-255 Lisboa), sublinhando a importância cultural do museu, na sua totalidade, e mostrando o alarme que a notícia causou em toda a comunidade cultural do país. O desaparecimento do Museu é uma grande perda para todos. Ou, pelo menos, que sejam explicadas à opinião pública as vantagens da integração numa outra entidade. É que o silêncio se tornou num elemento altamente perturbador.

Peço também para consultarem o blogue A Minha Rádio e assinarem a petição.


Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

HIBERNAÇÃO DO WEBLOG

Agora que o semestre está a terminar e eu dei notas às(aos) alunas(os) - faltando ainda as dos que vão a exame no dia 30 - este weblog entra de férias. Mas continuarei a escrever, sempre que puder, no meu outro weblog, Indústrias culturais.

Sábado, Janeiro 10, 2004

No weblog Site das Teorias, foram colocados quatro textos, sobre Roland Barthes (mais Adriano Duarte Rodrigues), sobre Beck, Bennet e Wall, e sobre Martin-Barbero, de apoio às leituras a fazer para o teste. Aos alunos(as) Carla Nunes, Rodrigo Atalaia/Sara Soares, Gonçalo Caldas/Marta Frade/Maria João Silva e Oriana Martinho o meu obrigado. E também à Inês Marques.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

ARTIGO DE JEAN CHALABY

O jornalismo como invenção anglo-americana: comparação entre o desenvolvimento do jornalismo francês e anglo-americano, 1830-1920 é um notável artigo de Jean Chalaby, inicialmente publicado na revista European Journal of Communication (1996) e agora editado na revista Media & Jornalismo, nº 3, Outono/Inverno de 2003, do CIMJ. Sobre o texto de Jean Chalaby, professor da London School of Economics and Political Science, ler mais em Indústrias Culturais (texto de 9.1.2004).

O presente número da Media & Jornalismo [uma edição da MinervaCoimbra e com o preço de capa de €11] contém outros motivos de muito interesse. Destaco - por gosto pessoal - os textos dos professores Alberto Pena, da Universidade de Vigo, sobre os correspondentes na guerra civil de Espanha, e Rosa Sobreira, do Instituto Politécnico de Leiria, sobre o ensino do jornalismo no período do Estado Novo. Na rubrica de recensões, chamo a atenção para a critica a dois livros fundamentais editados nos dois últimos anos - os livros de Filipe Carreira da Silva (Espaço público em Habermas) e João Pissarra Esteves (Espaço público e democracia).

Quinta-feira, Janeiro 08, 2004

TEXTOS PARA O TESTE de 12.1.2004

Para além da leitura do livro de Michèle e Armand Mattelart, dos textos inseridos no weblog e na sebenta teórica sobre as matérias estudadas, aconselho a leitura dos textos das sebentas práticas:

Semiótica
Barthes, Elementos de semiologia, na totalidade
Beck, Bennett e Wall, Communications studies, pontos 2 e 3 (excluir pontos 4 e 5)

Jornalismo
David Manning White, na totalidade
Warren Breed, na totalidade
Nelson Traquina, O estudo do jornalismo no séc. XX, na totalidade
Kevin Williams, Understanding media theory, na totalidade

McLuhan
Emm Griffin, na totalidade. Coloquei um texto, a partir deste autor, em Indústrias Culturais, no dia 19.12.2003.

Indústrias culturais
Texto inserido na sebenta teórica.

Cultural studies
livros de Armand e Michèle Mattelart, e Isabel Ferin. Textos na sebenta teórica

Domingo, Janeiro 04, 2004

TELENOVELAS E ESTUDOS DA RECEPÇÃO EM VERÓNICA POLICARPO E ISABEL FERIN

Em tese de mestrado defendida na Universidade de Coimbra, em 2001, Verónica Policarpo debruça-se sobre o universo da recepção da telenovela enquanto expressão de valores e representações de determinados grupos sociais. O título da tese é Telenovela brasileira: apropriação, género e trajectória familiar . Para a autora, a telenovela, produto ou formato de indústria cultural, possui uma narrativa dramatizada de situações imaginadas, estrutura seriada e marcas próprias em termos de duração e estrutura. Herdeira do folhetim literário e romântico do séc. XIX, a telenovela explora as emoções como rir ou chorar.

O trabalho de Verónica Policarpo, professora da Universidade Católica Portuguesa, tem como objecto a audiência e os “contextos de leitura” da telenovela, em que a família surge como contexto indicado para estudar as práticas de recepção da televisão. Pergunta-se: como é que as pessoas “lêem” as propostas da telenovela? Que significados lhes atribuem? Que factores sociais decisivos para essa apropriação? A autora – que analisou a telenovela Terra Nostra (2000) e o seu impacto na recepção – parte da hipótese que as formas de apropriação da telenovela brasileira variam em função do género e da trajectória familiar. Ela considera a audiência como social (composta por indivíduos inseridos em complexas relações sociais) e activa, orientando a explicação para as diferenças de recepção, com possibilidade de leituras de resistência (usos alternativos que as mulheres fazem das telenovelas). A telenovela constitui um interlocutor privilegiado de certo tipo de sentimentos e experiências. Por exemplo, as mulheres podem rever a sua vida e reflectir sobre a sua situação. A telenovela oferece uma forma narrativa, um léxico e uma semântica para se constituir uma história de vida.

Tendo como base empírica um conjunto de 20 entrevistas, a autora traça uma tipologia de recepção dos géneros face à telenovela: 1) mulheres casadas – distância e contenção, 2) mulheres separadas – amor-romântico, espontaneidade e emoção, 3) homens casados – desvalorização do conteúdo como prática de distinção, e 4) homens separados – amor e emoção na apropriação da telenovela. Como conclusão, Verónica Policarpo demonstra a importância do género e da trajectória familiar na forma como os actores sociais se apropriam dos valores propostos pela telenovela brasileira. Ela conclui que homens e mulheres casadas produzem um discurso – sobre a telenovela – mais descritivo e denotativo, enquanto os homens e mulheres divorciadas aderem com mais emoção aos encontros e desencontros amorosos da telenovela.

Uma síntese deste trabalho de Verónica Policarpo pode ser lida na publicação electrónica Agora::net, nº 3, em Agoranet.


Também Isabel Ferin, em artigo recentemente publicado, estuda o impacto da telenovela na recepção. O título desse texto, editado na revista Trajectos, nº 3, do Outono de 2003, é As telenovelas brasileiras em Portugal: indicadores de aceitação e mudança. Para a professora da Universidade de Coimbra, a telenovela evidenciou uma nova relação entre telenovela e os diversos produtos da indústria cultural e dos conteúdos: literatura, música popular brasileira, teatro, cinema e actores. Ela analisaria as três fases de agendamento da telenovela: 1) lançamento, 2) tematização, e 3) encerramento. A opção pela telenovela brasileira como estratégia de fidelizar audiências não foi pacífica, pois se temia uma forte influência dos falares e das vivências culturais brasileiras. Mas, com histórias expressas numa linguagem comum e um imaginário próximo do nosso (heróis e vilões, paisagens de um Império colonial desagregado muito recentemente), permitiram uma fácil identificação e adesão do público.

Os espectadores percebem os conteúdos das telenovelas como modelos de comportamentos, estilos de vida e valores inerentes à modernização, em especial os comportamentos da vida privada e a reivindicação de liberdades antigas. De acordo com a investigação de Ferin, a telenovela brasileira tornar-se-ia: 1) agente de globalização, e 2) agente de modernização e democratização. Mais tarde, as telenovelas portuguesas marcariam um predomínio, em especial as transmitidas pela TVI. Como conclui Ferin no seu estudo, “os investimentos portugueses no audiovisual e no domínio das técnicas, associados à melhoria das performances dos profissionais, tendem a criar novos públicos para as telenovelas feitas em Portugal, enfatizando a narrativa ficcionada, os imaginários, as expectativas e angústias nacionais” (2003: 32).

Leituras
Ferin, Isabel (2003). "As telenovelas brasileiras em Portugal: indicadores de aceitação e mudança". Trajectos, 3: 19-34
Policarpo, Verónica (2001). Telenovela brasileira: apropriação, género e trajectória familiar. Tese de mestrado defendida na Universidade de Coimbra

Sábado, Janeiro 03, 2004

CULTURAL STUDIES [tema da aula de 5.1.2004]
No livro por si organizado, MacKay (1997: 1) apresenta-nos um modelo de consumo cultural, integrado num circuito cultural (du Gay et al., 1997). Esse modelo aplica-se às práticas da vida quotidiana, onde se identifica a variedade de locais que se podem explorar enquanto processos culturais. Os elementos do circuito cultural são cinco: consumo, produção, regulação, identidade e representação. Representação e identidade (constituída a partir daquela) são entidades que se sobrepõem e interligam de modo complexo e contingente (du Gay, 1997: 4). No caso do walkman, estudado por du Gay e colegas, a representação reside na linguagem oral e visual, no seu discurso. Representações específicas são os anúncios (textos e imagens). Estes discursos ou representação criam, em certos públicos, uma identidade.

Considera-se o consumo cultural enquanto momento crucial do circuito cultural. Claro que a noção de circuito não quer dizer que o consumo ou outro momento do circuito seja determinado pela produção ou base económica. Os estudos culturais reflectem a interrelação entre os vários momentos, os processos de influência ou retroacção pelos quais os vários componentes ou estádios do circuito estão ligados. Destaca-se um consumidor activo e implicado, ao lado de práticas locais. Consumo significa uso, destruição, gasto ou valor consumido. O seu uso aumentou no séc. XX com o advento do consumo de massa e como esforço para gerar e manipular mercados, com o desenvolvimento da publicidade e do marketing. Hoje, o uso diário da palavra consumo quer dizer uso, uma perspectiva dada pelo movimento de consumidores.

A investigação empírica e qualitativa da apropriação diária dos artefactos culturais foi o foco dos prazeres do consumo (MacKay, 1997: 5). A teoria emergiu em especial no Centre for Contemporary Cultural Studies, de Birmingham. Os investigadores da apropriação cultural concluíram que a realidade da cultura de massa é mais criativa que o sugerido pelos críticos da cultura de massa. Os consumidores, nomeadamente os jovens, são activos, criativos e críticos na sua apropriação e transformação de artefactos materiais, em vez de passivos e manipuláveis. Num processo de bricolage, eles apropriam, reacentuam, rearticulam ou transcodificam o material da cultura de massa para os seus próprios fins, através de práticas criativas e simbólicas da vida quotidiana (caso dos estudos de du Gay e colegas, Silverstone e colegas, e David Morley). Estes processos de apropriação constroem novas identidades.

Origem da escola dos cultural studies
Mas o que são os cultural studies? Trata-se de uma escola que emergiu no final dos anos 50, em Inglaterra, nos trabalhos de Richard Hoggart, Raymond Williams e Edward Thompson. Um aspecto chave foi a transposição das coordenadas estéticas e éticas, associadas à crítica literária, para a prática das culturas vivas ou populares (Schwarz, 2000: 47). Em 1957, Hoggart, professor de literatura inglesa moderna, publicava The uses of literacy (em português, com o título de As utilizações da cultura, editado pela Presença), onde descreve as mudanças dos modos de vida e práticas da classe operária (trabalho, família, lazer). O livro saía no ano da inauguração da televisão comercial, representando uma crítica poderosa à cultura comercial. Em 1958, Raymond Williams, professor numa instituição de formação para trabalhadores, publica Culture and society (1780-1950), onde ressalta a dissociação existente entre cultura e sociedade. Uma das definições modernas de cultura pertence a este autor.

Em 1964, arrancava o Centre for Contemporary Cultural Studies, de Birmingham, o centro universitário por excelência dos estudos culturais. Por essa altura, e noutros contextos culturais, Andy Wharol inaugurava uma nova vanguarda em Manhattan e Susan Sontag lançava um livro (Notes on camp).

Estudo da recepção
O artigo de Stuart Hall Encoding/decoding, redigido em 1973, perspectiva o processo de comunicação televisiva segundo quatro momentos distintos – produção, circulação, distribuição/consumo, reprodução que tem as suas modalidades e formas e condições de existência, articuladas entre si e determinadas por relações institucionais de poder (Mattelart e Mattelart, 1997: 91). A audiência é, em simultâneo, receptor e fonte da mensagem, porque os esquemas de produção correspondem às imagens que a televisão faz da audiência, assim como os códigos profissionais. Do lado da audiência, Hall define três tipos de descodificação – dominante, oposicional e negociada. O primeiro corresponde aos pontos de vista hegemónicos que surgem como naturais, legítimos, inevitáveis; o segundo interpreta a mensagem a partir de outro quadro de referência, de uma visão contrária do mundo. O código negociado é uma mistura de elementos de oposição e adaptação, um misto de lógicas contraditórias.

Também o lar foi alvo de uma forte linha de investigação dentro dos estudos culturais. O lar apresenta-se como unidade social, cultural e doméstica, tomando parte activa no consumo de objectos e significados dos membros que constituem os membros da família e unidade económica complexa em si, naquilo a que Silverstone, Hirsch e Morley (1996: 43) chamaram economia moral do lar. Instituição que produz bens e serviços de valor económico tangível do mesmo modo que uma empresa, a economia moral inclui as actividades dos seus membros, no lar e no mundo do trabalho, nos momentos de lazer e nas compras feitas individualmente, seguindo um calendário próprio de consumo. Nota-se, porém, uma diferença fundamental: enquanto o produtor trabalha para a família, o consumidor produz dentro da família (Wheelock, 1996: 150).

Na América latina, os estudos culturais assentam nas práticas quotidianas em torno das indústrias culturais e da utilização dos media (Ferin, 2003: 146). Isabel Ferin concede destaque especial a dois autores: Jesús Martin-Barbero (estudado em aula) e Nestor Garcia Canclini.

Leituras
Du Gay, Paul, Stuart Hall, Linda Janes, Hugh MacKay e Keith Negus (1997). Doing cultural studies. The story of the Sony walkman. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage
Ferin, Isabel (2003). “Dos efeitos à recepção: algumas pistas de leitura”. Media & Jornalismo, 2: 143-151
Hall, Stuart (2000). “O legado teórico dos cultural studies?”. In Bragança de Miranda e Prado Coelho, Tendências da cultura contemporânea. Revista de Comunicação e Linguagens, 28: 65-81
MacKay, Hugh (org.) (1997). Consumption and everyday life. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage
Mattelart, Armand, e Érik Neveu (1996). “Cultural studies’ stories – la domestication d’une pensée sauvage?”. Réseaux, 80: 11-58
Mattelart, Armand, e Michèle Mattelart (1997). História das teorias da comunicação. Porto: Campo das Letras
Santos, Rogério (1998). Os novos media e o espaço público. Lisboa: Gradiva
Santos, Rogério (2000). “Indústria cultural, tecnologias e consumos”. In Carlos Leone (org.) Rumo ao cibermundo?. Celta, Oeiras
Santos, Rogério (2003). Jornalistas e fontes de informação. Coimbra: MinervaCoimbra
Schwarz, Bill (2000). “Onde estão os cultural studies?”. In Bragança de Miranda e Prado Coelho, Tendências da cultura contemporânea. Revista de Comunicação e Linguagens, 28: 43-64
Silverstone, Roger, e Eric Hirsch (eds.) (1996). Los effectos de la nueva comunicación. Barcelona: Bosch
Silverstone, Roger, Eric Hirsch e David Morley (1996). “Tecnologías de la información y de la comunicación y la economía moral de la familia”. In Roger Silverstone e Eric Hirsch (eds.) Los effectos de la nueva comunicación. Barcelona: Bosch
Whellock, Jane (1996). “Ordenadores personales, género y un modelo institucional para el ámbito doméstico”. In Roger Silverstone e Erich Hirsch (eds.) Los effectos de la nueva comunicación. Barcelona: Bosch

Segunda-feira, Novembro 24, 2003

MCLUHAN

Para complementar a aula de hoje, recomendo a leitura do livro de Kattan, Baudrillard, Morin, Riesman, Nairn e Cohn, Analisis de Marshall McLuhan, editado por Tiempo Contemporaneo, de Buenos Aires, em 1972, existente na Biblioteca João Paulo II [em especial o primeiro capítulo]. Devem ler também o meu texto editado na sebenta de aulas teóricas (escola canadiana de comunicação; Marshall McLuhan; enquadramento de Harold Innis como percusor de McLuhan; determinismo tecnológico).

Considero esta como uma das matérias essenciais para o próximo teste.

Perguntas prováveis em torno da matéria:
a) O que é o determinismo tecnológico?
b) Quais os principais aforismos [sentenças, máximas]?
c) Trace as principais características de McLuhan.

Relembro que dividi a aula de hoje em seis elementos principais:
1) primazia da tecnologia,
2) equilíbrio dos sentidos,
3) o meio é a mensagem,
4) temperatura dos meios,
5) aldeia gobal,
6) os meios como extensões do homem.

Segunda-feira, Novembro 17, 2003

SOCIOLOGIA DO JORNALISMO (aula teórica de 10 de Novembro).

BASES. Assente em:
(1) recolha de informação,
(2) predominância do discurso da objectividade,
(3) atenção às informações económicas do mercado,
(4) estatuto da imprensa como actividade empresarial,
(5) trabalho assalariado.

Campo jornalístico:
(1) jornais estabelecidos versus outsiders que precisam de construir uma imagem,
(2) especializações nobres (política, economia, finanças) versus outras (fait divers, desporto),
(3) sociologia dos leitores.

Autonomia jornalística:
(1) ligada a valores como objectividade, rigor deontológico, distanciação crítica e análise.

Campo económico:
(1) capacidade de criar audiências, trabalho em directo, linguagem emotiva ou sensacionalista.

Poder do jornalista:
(1) desmesurado,
ou (2) integrado em rede de interdependências.

Jornalismo de mercado:
(1) prioridade dada a rubricas próprias para maximizar públicos (oferta de soft news, declínio da cobertura de notícias do estrangeiro),
(2) política de redução de custos: os meios noticiosos contratam jornalistas com estatuto e salários semelhantes aos estagiários e recorrem a serviços de agenda,
(3) pressão dos serviços financeiros sobre a autonomia da redacção,
(4) dissolução da profissão jornalística em multimedia.

NOTÍCIA. Como:
(1) enquadramento – um jornalista faz o registo narrativo da realidade, mostra ângulos de vista,
(2) narrativa cultural (a notícia centra-se na estória e destaca a relação entre facto e símbolo) e organizacional (a notícia como produto manufacturado na interacção de empresas, mercado e recursos).

Distorção da notícia, porque:
(1) centrada no acontecimento, acção e personalização,
(2) crescente negatividade quanto a factos,
(3) olhar céptico e irónico do jornalista,
(4) realça as questões estratégicas e tácticas das fontes,
(5) mostra a dependência dos jornalistas perante fontes oficiais e poderosas,
(6) releva a tendência para a glorificação do trabalho do jornalista.

Transformações:
(1) aparecimento/aumento do infotainment e da tabloidização,
(2) esquema de jogo (corrida de cavalos) – cinismo,
(3) parajornalistas (relações públicas, spin doctors, publicitários).

Porém, se cresce o infotainment e a tabloidização, há informação mais credível:
(1) profissionalização,
(2) coerência narrativa ou temática das notícias,
(3) consenso noticioso inter-institucional.

Bibliografia:
Érik Neveu (2001), Sociologie du journalisme. Paris: La Découverte
Michael Schudson (2003), The sociology of news. Nova Iorque e Londres: W. W. Norton.

Sábado, Novembro 15, 2003

DISTRIBUIÇÃO DE GRUPOS PARA TEXTOS DE AULAS PRÁTICAS (ACTUALIZAÇÃO) - TURMA 2. Grupo 1: Filipa Campelo/Carolina Silva/Marta Lopes. Grupo 2: Pedro Vintém/Sujit Tulcidas/Mariana Coxilha. Grupo 3: Joana Almeida/José Almeida. Grupo 3A: Joana Henriques/Joana Monteiro. Grupo 4: Irina Mavjee/Sofia Costa. Grupo 4A: Pedro Rodrigues/João Barros. Grupo 5: Paulo Ferreira/Agostinho Faria/Ana Rós. Grupo 5A: Pedro Fernandes/Miguel Machado. Grupo 6: Fábio Machado/Ana Godinho. Grupo 6A: Carla Nunes. Grupo 7: Raquel Faria/Sofia Valente/Andreia Pires. Grupo 7A: Carina Oliveira/Catarina Água-Mel/Luís Santos. Grupo 8: Joana Canavilhas/Beatriz Mourão. Grupo 8A: Denise Madeira/Ana Inverno. Grupo 9: Domingos Sanches. Grupo 10: Marta Anahory/Catarina Gonçalves. Grupo 11: Cátia Semedo/Susana Gomes. Grupo 12: Oriana Martins/Marlene Barreto. Grupo 13: Catarina Dias/Micaela Rebelo. Grupo 14: Diana Ribeiro/Maria Caldeira/Patrícia Rebelo.

DISTRIBUIÇÃO DE GRUPOS PARA TEXTOS DE AULAS PRÁTICAS (ACTUALIZAÇÃO) - TURMA 1. Grupo 1: Gonçalo Correia/Alfredo Costa/Carlos Martins. Grupo 2: Inês Marques/Paulo Duarte/Jorge Gouveia. Grupo 3: Luís Silva/Tiago Trovão. Grupo 4: Cristina Figueira/Catarina Monteiro/Bernardo Cruz. Grupo 5: Sílvia Rosa/Joana Napoleão/Inês Romba. Grupo 5A: Teresa Alfacinha. Grupo 6: Joana Pimentel/Pedro Resendes/Marta Gonçalves. Grupo 6A: Sara Soares/Rodrigo Atalaia. Grupo 7: Gonçalo Caldas/Marta Frade. Grupo 7A: Maria João Silva. Grupo 8: Nádia Menezes/Marlene Ferreira. Grupo 8A: Raquel Martins. Grupo 9: Filipe Carvalho/Bruno Silva/Rui Mota. Grupo 10: Ana Teresa Miranda/Ana Cruto. Grupo 11: Tânia Fonseca/Diana Costa/Sara Pereira. Grupo 12: Sara Fonseca/Joana Sargento. Grupo 13: Ana Luísa Neto/Raquel Patrício/Catarina Costa. Grupo 14: Manuel Simões/Filipa Belo.

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